quinta-feira, 12 de junho de 2008

EPITÁFIO

Eis aqui a morte anunciada de um blogue. Obrigada pela paciência!


quinta-feira, 15 de maio de 2008

Em que língua escrever?

"Em que língua escrever
Contando os feitos das mulheres
E dos homens do meu chão?
Como falar dos velhos
Das passadas e cantigas?
Falarei em crioulo?
Falarei em crioulo!
Mas que sinais deixar
Aos netos deste século"

ODETE SEMEDO

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pessoas e capitais

“La nueva economia es una economia global en la que el éxito de una nación depende de su capacidad para constituirse en un modo atracivo para las redes globales de capital y personas. [...] La nueva sociedad es baseada en multiculturalismo y multietnicismo. El multiculturalismo es una rica fuente de crecimiento económico y culturale”.


"El estado Del bienestar y a la sociedad de la información"

(Manuel Castells)

Instinto

"Pidgin ou língua de contato é o nome dado a qualquer língua que é criada, normalmente de forma espontânea, de uma mistura de outras línguas, e serve de meio de comunicação entre os falantes de idiomas diferentes. Os pidgin têm normalmente gramáticas rudimentares e um vocabulário restrito, servindo como línguas de contacto auxiliares. São improvisadas e não são aprendidas de forma nativa". (Wikipédia)

Onde está a caridade?

...no sorriso de compreensão e tolerância; na palavra que tranquiliza; na gentileza para com desconhecidos; no amparo à criança; no socorro ao doente; na atenção para com quem fala; no acatamento das confidências de um amigo; no silêncio, ante os conceitos agressivos desse ou daquele adversário; e no respeito perante os hábitos e as cicatrizes do próximo.

(Emmanuel)

Beleza elástica

“Se a vocação histórica da língua de civilização e de cultura lhe é geralmente reconhecida, a verdade é que se impõe provar, no terreno concreto das relações internacionais, que ela é também suscetível, contemporaneamente e no futuro, de incorporar as transformações econômicas, sociais, científicas e tecnológicas da nossa época, sem deixar de ser uma língua de poetas”.

José Augutsto Seabra, Jornal de Letras, 1991.

Sodade, Cesária Évora

quinta-feira, 8 de maio de 2008

As trocas desiguais entre culturas têm sempre acarretado a morte do conhecimento próprio da cultura subordinada... (Boaventura Sousa Santos).

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Impressões Digitais

Coloquei minha língua no scanner
Para criar meu verbo digital
Zipei num e-mail
Comprimi a memória visual
Transmiti feito vírus
Meu pensamento sem palavra

Ninguém entendeu
A língua morta
Desarticulada
Músculo imóvel
Sem dor

Do sistema nervoso central
Ao computador
Tecnologia sem letra
É escrita em papel e caneta

Da minha língua
Vejo o mar tecnológico
Desdobrada em fios
Eletrodos e sílabas navegantes


( ZIZA, Porto, Janeiro 2008 )

Lá se vai mais um abril


Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Uma universidade para a comunidade

Celso Amorim anunciou criação da Universidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a ser construída no Nordeste do Brasil, afirmando que a promoção da Língua Portuguesa é uma prioridade. Metade dos alunos seria brasileira e os demais 50% oriundos de países da CPLP.

Fonte: CPLP

Do Ceará para Cabo Verde

Três brasileiros seguem para Cabo Verde este ano com intuito de ajudar técnicos a estruturar o Centro de Formação da Ilha do Fogo e inaugurar cursos nas áreas de Construção Civil, Meio Ambiente e Telecomunicações.

Professores selecionados do CEFET do Ceará para a primeira parte da cooperação do acordo assinado entre os dois países em junho de 2007: Claudionor Lima de Oliveira, Antônio Eduardo Bezerra e Raimundo Benvindo Comes.

Fonte: MEC

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dizem que para morrer basta estar vivo
O dito desafia a metafísica
Viver e morrer é coexistência
Nem sempre pacífica
Na mais pura alternância do sentido

Para morrer basta estar dormente
Indiferente
Entorpecido

(Ziza, Porto - abr08)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Acorda!

Em recente evento no Porto sobre o Acordo Ortográfico (AO), falou-se que o Brasil mostra grande generosidade por não colocar em sua Constituição "Língua Brasileira" e manter "Língua Portuguesa". Existe um fato que faz o AO ser inevitável em termos políticos. Se o Brasil proclamasse sua independência linguística munido de sua variante própria a Língua Portuguesa teria menos aproximadamente 183 milhões de falantes e não seria mais a sétima no ranking mundial. Assim sendo, para Portugal trata-se de uma questão estratégica de defesa do idioma. E ainda, tendo já ratificado o AO de 1990 Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, segundo protocolo modificativo que permite a entrada em vigor do documento com três signatários, Angola, Moçambique e Timor ficam na incógnita.

Moçambique avalia a ratificação, mas não apresenta data. O escritor Agualusa defendeu a escolha, em Angola, pela ortografia brasileira "caso o acordo não seja aplicado por resistência de Portugal". Já Mia Couto é contra o documento alegando que "há tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva".

O acordo traz muita indignação à sociedade portuguesa, que não entende e não se vê adotando as alterações propostas no dia-a-dia. O português europeu sofreria 1,6% de alterações (2.600 palavras) enquanto no Brasil o impacto é de apenas 0,5%.

No evento, enquanto as alterações eram explicadas, a platéia de estudantes murmurava frases como "Isto é ridículo, isto é terrível!". Me senti em uma verdadeira aula de catequese cultural.

Uma das oradoras do encontro disse que Portugal precisa agir urgentemente com influência cultural sobre o Brasil e em África. Então perguntei a ela se essa mentalidade não reflete aquele caduco discurso colonizador - colonizado. Sendo a única brasileira no local, criou-se uma espécie de mal-estar. (Não dá para ouvir esse tipo de coisa e ficar calada).

Histórico do que Malaca Casteleiro comparou à Guerra dos Cem Anos:

O histórico da ação do AO reflete uma sucessão de entraves. Em 1911 Portugal decide promover uma reforma ortográfica que aboliu consoantes mútuas, entre outras medidas de simplificação da escrita. A atitude se deu sem comunicar ao Brasil. Assim foi implantada a dualidade das normas. Deu-se a grande divisão de percursos. Em 1931, 20 anos depois, ocorreram algumas negociações para incluir o Brasil e foi assinado então um acordo preliminar que adotava o modelo de 1911. Em 1943, uma Comissão Ortográfica deu origem ao AO de 1945, que o Brasil não assina. Em 1971 há assinatura de um novo acordo que aproximou mais as ortografias e em 1990 chega-se ao acordo em seu modelo atual. Em março de 2008, o governo português emite sua aprovação e dá o prazo de seis anos para realizar a transição e adotar as medidas. (Com isso, a situação vai se prolongar e cria-se o período - 1911 a 2011 - Guerra dos Cem Anos das palavras).

segunda-feira, 7 de abril de 2008

fados e fardos

“Só a cultura européia pretendeu que o tempo de Deus fosse o tempo dos homens. Quando este desafio prometeico perdeu a sua razão de ser, tendo-se o homem tornado para si mesmo um fardo mais pesado que Deus, a nossa sede pareceu extinguir-se”. 

(Eduardo Lourenço, Jornal de Letras, Ano XXVII, número 974).  

segunda-feira, 24 de março de 2008

POR ORLANDO CASTRO

"A falta de água potável, o saneamento básico desadequado e as condições precárias de higiene provocam a morte de uma criança a cada 15 segundos. Enquanto isso, nos areópagos da macro-política internacional, sobejam as refeições bem regadas.

De acordo com a Cruz Vermelha espanhola, mais de mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável e cerca de 2,6 mil milhões, aproximadamente 40 por cento da população mundial, não dispõem de serviços de saneamento básico.

Grande parte desta dramática realidade escreve-se em português. Apesar disso, a CPLP (aquela coisa que se chama Comunidade de Países de Língua Portuguesa) continua a cantar e a rir.

Em todo o mundo, a má qualidade da água é responsável por 21 por cento das mortes de crianças até aos cinco anos, sendo mais mortífera do que as guerras. Por dia, cinco mil adultos perdem a vida devido ao mesmo problema, sobretudo em consequência de diarreia.

Citada pelo diário espanhol 'El Mundo', a Cruz Vermelha sublinha que a melhoria das instalações sanitárias e a promoção de medidas de higiene poderiam reduzir a mortalidade infantil em cerca de um terço, contribuindo, além disso, para acelerar o desenvolvimento económico e social em países onde a falta de saneamento é uma das principais causas de absentismo escolar e profissional devido a doença.

Tão simples quanto isso, tão difícil quanto isso.

Por seu lado, a “Ayuda en Acción” denuncia que muitos países gastam entre seis e 28 vezes mais em investimentos militares do que com água e saneamento básico, pelo que, defende, "o problema da água está mais relacionado com falta de vontade política do que com escassez".

É isso mesmo. No entanto, Bush e companhia continuam a usar a razão da força e não a força da razão.

Uma das regiões do Mundo mais afectadas por este problema é a África sub-sahariana, onde, de acordo com a organização Interpón Oxfam, a probabilidade de uma criança morrer com diarreia é quase 520 vezes superiores às de uma criança europeia ou norte-americana".

RETIRADO DO BLOG Alto Hama

Provocações

Nada deve parecer impossível de mudar!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Duas espécies de lusofonia

Segundo Pires Laranjeira (no texto: África - algumas achegadas para um debate sobre a lusofonia sócio-cultural), haverá duas espécies de lusofonia:

1. a dos usuários da língua portuguesa, empírica e objetivamente definível. 

2. a da institucionalização de órgãos e entidades oficiais, oficiosas e outras, que, por intermédio de projetos, procuram alargar e fortalecer o alcance da língua portuguesa no mundo e, em simultâneo, propor vias de instauração de uma comunidade de interesses políticos, econômicos e culturais. 

Diz ainda...pensemos numa terceira: uma lusofonia sócio-cultural. (Salve Laranjeira!!!)

sexta-feira, 14 de março de 2008

prece de luz

...Ensina-nos a encontrar a paz na luta construtiva, o repouso no trabalho edificante, o socorro na dificuldade e o bem nos supostos males da vida. Senhor... Abençoa-nos e estende-nos as mãos compassivas, em tua infinita bondade, para que te possamos perceber em espírito na realidade das nossas tarefas e experiências de cada dia, hoje e sempre.

(por Emmanuel)