quinta-feira, 24 de abril de 2008

Dizem que para morrer basta estar vivo
O dito desafia a metafísica
Viver e morrer é coexistência
Nem sempre pacífica
Na mais pura alternância do sentido

Para morrer basta estar dormente
Indiferente
Entorpecido

(Ziza, Porto - abr08)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Acorda!

Em recente evento no Porto sobre o Acordo Ortográfico (AO), falou-se que o Brasil mostra grande generosidade por não colocar em sua Constituição "Língua Brasileira" e manter "Língua Portuguesa". Existe um fato que faz o AO ser inevitável em termos políticos. Se o Brasil proclamasse sua independência linguística munido de sua variante própria a Língua Portuguesa teria menos aproximadamente 183 milhões de falantes e não seria mais a sétima no ranking mundial. Assim sendo, para Portugal trata-se de uma questão estratégica de defesa do idioma. E ainda, tendo já ratificado o AO de 1990 Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, segundo protocolo modificativo que permite a entrada em vigor do documento com três signatários, Angola, Moçambique e Timor ficam na incógnita.

Moçambique avalia a ratificação, mas não apresenta data. O escritor Agualusa defendeu a escolha, em Angola, pela ortografia brasileira "caso o acordo não seja aplicado por resistência de Portugal". Já Mia Couto é contra o documento alegando que "há tanta exceção, omissão e casos especiais que não traz qualquer mudança efetiva".

O acordo traz muita indignação à sociedade portuguesa, que não entende e não se vê adotando as alterações propostas no dia-a-dia. O português europeu sofreria 1,6% de alterações (2.600 palavras) enquanto no Brasil o impacto é de apenas 0,5%.

No evento, enquanto as alterações eram explicadas, a platéia de estudantes murmurava frases como "Isto é ridículo, isto é terrível!". Me senti em uma verdadeira aula de catequese cultural.

Uma das oradoras do encontro disse que Portugal precisa agir urgentemente com influência cultural sobre o Brasil e em África. Então perguntei a ela se essa mentalidade não reflete aquele caduco discurso colonizador - colonizado. Sendo a única brasileira no local, criou-se uma espécie de mal-estar. (Não dá para ouvir esse tipo de coisa e ficar calada).

Histórico do que Malaca Casteleiro comparou à Guerra dos Cem Anos:

O histórico da ação do AO reflete uma sucessão de entraves. Em 1911 Portugal decide promover uma reforma ortográfica que aboliu consoantes mútuas, entre outras medidas de simplificação da escrita. A atitude se deu sem comunicar ao Brasil. Assim foi implantada a dualidade das normas. Deu-se a grande divisão de percursos. Em 1931, 20 anos depois, ocorreram algumas negociações para incluir o Brasil e foi assinado então um acordo preliminar que adotava o modelo de 1911. Em 1943, uma Comissão Ortográfica deu origem ao AO de 1945, que o Brasil não assina. Em 1971 há assinatura de um novo acordo que aproximou mais as ortografias e em 1990 chega-se ao acordo em seu modelo atual. Em março de 2008, o governo português emite sua aprovação e dá o prazo de seis anos para realizar a transição e adotar as medidas. (Com isso, a situação vai se prolongar e cria-se o período - 1911 a 2011 - Guerra dos Cem Anos das palavras).

segunda-feira, 7 de abril de 2008

fados e fardos

“Só a cultura européia pretendeu que o tempo de Deus fosse o tempo dos homens. Quando este desafio prometeico perdeu a sua razão de ser, tendo-se o homem tornado para si mesmo um fardo mais pesado que Deus, a nossa sede pareceu extinguir-se”. 

(Eduardo Lourenço, Jornal de Letras, Ano XXVII, número 974).  

segunda-feira, 24 de março de 2008

POR ORLANDO CASTRO

"A falta de água potável, o saneamento básico desadequado e as condições precárias de higiene provocam a morte de uma criança a cada 15 segundos. Enquanto isso, nos areópagos da macro-política internacional, sobejam as refeições bem regadas.

De acordo com a Cruz Vermelha espanhola, mais de mil milhões de pessoas não têm acesso a água potável e cerca de 2,6 mil milhões, aproximadamente 40 por cento da população mundial, não dispõem de serviços de saneamento básico.

Grande parte desta dramática realidade escreve-se em português. Apesar disso, a CPLP (aquela coisa que se chama Comunidade de Países de Língua Portuguesa) continua a cantar e a rir.

Em todo o mundo, a má qualidade da água é responsável por 21 por cento das mortes de crianças até aos cinco anos, sendo mais mortífera do que as guerras. Por dia, cinco mil adultos perdem a vida devido ao mesmo problema, sobretudo em consequência de diarreia.

Citada pelo diário espanhol 'El Mundo', a Cruz Vermelha sublinha que a melhoria das instalações sanitárias e a promoção de medidas de higiene poderiam reduzir a mortalidade infantil em cerca de um terço, contribuindo, além disso, para acelerar o desenvolvimento económico e social em países onde a falta de saneamento é uma das principais causas de absentismo escolar e profissional devido a doença.

Tão simples quanto isso, tão difícil quanto isso.

Por seu lado, a “Ayuda en Acción” denuncia que muitos países gastam entre seis e 28 vezes mais em investimentos militares do que com água e saneamento básico, pelo que, defende, "o problema da água está mais relacionado com falta de vontade política do que com escassez".

É isso mesmo. No entanto, Bush e companhia continuam a usar a razão da força e não a força da razão.

Uma das regiões do Mundo mais afectadas por este problema é a África sub-sahariana, onde, de acordo com a organização Interpón Oxfam, a probabilidade de uma criança morrer com diarreia é quase 520 vezes superiores às de uma criança europeia ou norte-americana".

RETIRADO DO BLOG Alto Hama

Provocações

Nada deve parecer impossível de mudar!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Duas espécies de lusofonia

Segundo Pires Laranjeira (no texto: África - algumas achegadas para um debate sobre a lusofonia sócio-cultural), haverá duas espécies de lusofonia:

1. a dos usuários da língua portuguesa, empírica e objetivamente definível. 

2. a da institucionalização de órgãos e entidades oficiais, oficiosas e outras, que, por intermédio de projetos, procuram alargar e fortalecer o alcance da língua portuguesa no mundo e, em simultâneo, propor vias de instauração de uma comunidade de interesses políticos, econômicos e culturais. 

Diz ainda...pensemos numa terceira: uma lusofonia sócio-cultural. (Salve Laranjeira!!!)