sábado, 8 de março de 2008

Xi Shuashua, As Flores



xī   shuā   shuā 


Fonte: http://www.a-china.info/musica/cancao/10/xishuashua.html


terça-feira, 4 de março de 2008

A n a r r i ê = E n A r r i è r e

embala eu

Embala eu, embala eu
Menininha do Gantois
Embala pra lá, embala pra cá
Menininha do Gantois

Oh, dá-me a sua benção
Menininha do Gantois
Livrai-me dos inimigos
Menininha do Gantois

Dá-me a sua proteção
Menininha do Gantois
Guiai os meus passos por onde eu caminhar
Vira os olhos grandes de cima de mim
Pras ondas do mar

domingo, 2 de março de 2008

que triste

Um amigo da Guiné-Bissau conta que é comum andar pelas ruas do Porto e ouvir um infeliz passar e dizer "volta pra tua terra!". Em Lisboa é muito pior, disse já sem forças para se revoltar. E depois se calou. Quantas pessoas mais terão de silenciar diante desse tipo de atitude medíocre?

Poema da noite

Meu amigo Fred (Bom Dia!) sempre me manda textos interessantes. Este é um deles. Reproduz o jogo da infância e da maturidade que existe em cada um. E lida com a confusão desses tempos como uma luta interior. Muito bom!

Pontos de Vista - Giuseppe Ghiaroni

Na minha infância, quando eu me excedia
quando eu fazia alguma coisa errada
se alguém ralhava minha mãe dizia
-Ele é uma criança, não entende nada!

Por dentro eu ria satisfeito e mudo.
Eu era um homem, entendia tudo.

Hoje que escrevo poemas
e pareço ter tido algum estudo
dizem quando me vêem com os meus problemas:
-Ele é um homem, ele entende tudo!

Por dentro, alma confusa e atarantada
eu sou criança, não entendo nada.

Poeta e jornalista, natural de Paraíba do Sul, RJ , Giuseppe Ghiaroni
radicou-se no Rio, onde trabalhou na redação de A Noite. Em 1941 publica
seu primeiro livro, O Dia da Existencia. Em 1997 publica "A Máquina de
Escrever"(poema e título), com poemas inéditos e já publicados em outros
trabalhos. - do já citado "O Dia Da Existencia", "A Graça de Deus"(1945) e
a "Canção do Vagabundo"(1948).

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Construindo sua própria lusofonia

PRIMEIRA SUGESTÃO - CONCERTAR AGENDAS NACIONAIS E SUPRANACIONAIS

Os países africanos estão ainda construindo a sua própria lusofonia. Queremos que essa agenda nacional seja respeitada, e que outros programas se articulem em harmonia com esta construção interna. Todos sabemos que este edifício da lusofonia dentro dos nossos países é um assunto extremamente sensível exactamente porque tem a ver com a construção das nossas próprias identidades nacionais.

É verdade que não podemos pedir que o nosso projecto comum fique à espera que se cumpram os programas de cada um. Mas podemos cuidar que a lusofonia supranacional se desenhe sem atropelar essas agendas nacionais. Isso implica a existência de um fórum de consulta permanente para a definição e avaliação da programação das nossas estações comuns.

Deve ser dito que somos todos vítimas da mesma lógica de governação que coloca a prioridade nos assuntos económicos e relega para mais tarde as questões culturais e linguísticas. Deve ser dito ainda que, muitas vezes, falta nas nossas políticas domésticas coragem para defender interesses nacionais e não apenas conveniências políticas de ocasião.

SEGUNDA SUGESTÃO - RESPEITAR INDIVIDUALIDADES

Os lusófonos são pensados e falados do seguinte modo: Portugal, Brasil e os PALOP. Surgimos como um triângulo com vértices um no Brasil, um em Portugal e um terceiro em África, Ora, os países africanos não são um bloco homogéneo que se possa tratar de modo tão redutor e simplificado. Não se pode conceber como uma única entidade os 5 países africanos que mantêm, entre si, diferenças culturais sensíveis. As nações lusófonas não são um triângulo mas uma constelação em que cada um tem a sua própria individualidade.

O respeito pela individualidade, contudo, não nasce de apelos nem de acusações. O respeito conquista-se. Em lugar da retórica política fácil espera-se que sejamos capazes de produzir obra que os outros reconheçam e admirem.

TERCEIRA SUGESTÃO - ABANDONAR O APELO AO COITADISMO

Nós, os africanos, devemos abandonar uma atitude apelativa, ficando à espera que outras nos recompensem de injustiças passadas. A energia que costumamos colocar nessa apelação deve ser investida na criação de alternativas e na produção da nossa própria riqueza. Reclamamos que a língua não tem dono e que a lusofonia é de todos nós, mas ficamos à espera sejam Portugal ou o Brasil a tomar a iniciativa. Escusamo-nos na falta de recursos mas nem sempre usamos os primeiros grandes recursos que são a originalidade e a imaginação.

QUARTA SUGESTÃO - APLICAR PRINCÍPIOS DE LAICIDADE

A programação radiofónica e televisiva, por vezes se esquece de uma simples verdade: não somos uma população exclusivamente católica. E necessitamos respeitar a pluralidade religiosa do espaço lusófono. A nossa identidade linguística deve coexistir com outras identidades que nos tornam múltiplos e plurais.

É urgente discutirmos em conjunto como aplicar nos órgãos de comunicação social os princípios de laicidade que caracterizam os nossos Estados.

SUGESTÕES PARA A LUSOFONIA, SEGUNDO MIA COUTO