xī 嘻 shuā 唰 shuā 唰
Fonte: http://www.a-china.info/musica/cancao/10/xishuashua.html
Pensar a lusofonia: labirinto da cultura
PRIMEIRA SUGESTÃO - CONCERTAR AGENDAS NACIONAIS E SUPRANACIONAISOs países africanos estão ainda construindo a sua própria lusofonia. Queremos que essa agenda nacional seja respeitada, e que outros programas se articulem em harmonia com esta construção interna. Todos sabemos que este edifício da lusofonia dentro dos nossos países é um assunto extremamente sensível exactamente porque tem a ver com a construção das nossas próprias identidades nacionais.
É verdade que não podemos pedir que o nosso projecto comum fique à espera que se cumpram os programas de cada um. Mas podemos cuidar que a lusofonia supranacional se desenhe sem atropelar essas agendas nacionais. Isso implica a existência de um fórum de consulta permanente para a definição e avaliação da programação das nossas estações comuns.
Deve ser dito que somos todos vítimas da mesma lógica de governação que coloca a prioridade nos assuntos económicos e relega para mais tarde as questões culturais e linguísticas. Deve ser dito ainda que, muitas vezes, falta nas nossas políticas domésticas coragem para defender interesses nacionais e não apenas conveniências políticas de ocasião.
SEGUNDA SUGESTÃO - RESPEITAR INDIVIDUALIDADES
Os lusófonos são pensados e falados do seguinte modo: Portugal, Brasil e os PALOP. Surgimos como um triângulo com vértices um no Brasil, um em Portugal e um terceiro em África, Ora, os países africanos não são um bloco homogéneo que se possa tratar de modo tão redutor e simplificado. Não se pode conceber como uma única entidade os 5 países africanos que mantêm, entre si, diferenças culturais sensíveis. As nações lusófonas não são um triângulo mas uma constelação em que cada um tem a sua própria individualidade.
O respeito pela individualidade, contudo, não nasce de apelos nem de acusações. O respeito conquista-se. Em lugar da retórica política fácil espera-se que sejamos capazes de produzir obra que os outros reconheçam e admirem.
TERCEIRA SUGESTÃO - ABANDONAR O APELO AO COITADISMO
Nós, os africanos, devemos abandonar uma atitude apelativa, ficando à espera que outras nos recompensem de injustiças passadas. A energia que costumamos colocar nessa apelação deve ser investida na criação de alternativas e na produção da nossa própria riqueza. Reclamamos que a língua não tem dono e que a lusofonia é de todos nós, mas ficamos à espera sejam Portugal ou o Brasil a tomar a iniciativa. Escusamo-nos na falta de recursos mas nem sempre usamos os primeiros grandes recursos que são a originalidade e a imaginação.
QUARTA SUGESTÃO - APLICAR PRINCÍPIOS DE LAICIDADE
A programação radiofónica e televisiva, por vezes se esquece de uma simples verdade: não somos uma população exclusivamente católica. E necessitamos respeitar a pluralidade religiosa do espaço lusófono. A nossa identidade linguística deve coexistir com outras identidades que nos tornam múltiplos e plurais.
É urgente discutirmos em conjunto como aplicar nos órgãos de comunicação social os princípios de laicidade que caracterizam os nossos Estados.
Diz Esperança Cardeira no livro História do Português (Caminho, 2006) sobre as línguas autóctones que se unem ao idioma oficial, do surgimento de novas gramáticas, como a norma africana que tem sido consolidada. A escritora compara o futuro deste fenômeno ao que ocorreu com o latim, diferenciado em variadas línguas românicas, e afirma que daqui a um tempo não muito distante o português pode se transformar em Angolano ou Moçambicano, por exemplo, em tais localidades. "Apesar da pressão da norma européia, as influências vão levando à construção de novas normas, como aconteceu no Brasil".
A minha amiga Anne é uma verdadeira agência de notícias. Aí vai uma que me mandou esses dias e achei legal colocar aqui. Bjo, miga! Entre 17 e 22 de fevereiro, representantes do Ministério da Cultura estarão em Cabo Verde para aprofundar as relações bilaterais e contribuir com conhecimentos sobre Economia da Cultura.
O secretário de Políticas Culturais do MinC, Alfredo Manevy, e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, integram a delegação que vai colaborar na concepção e formatação do Fórum Economia do Desenvolvimento Cultural, cuja realização está prevista para novembro deste ano, em Cidade da Praia, capital do país.
No evento, serão discutidas a promoção da inclusão cultural e da diversidade cultural, a contribuição da cultura para o desenvolvimento econômico e social e o fortalecimento do mercado cultural de Cabo Verde. Outros países como Espanha, Portugal e Senegal participarão do Fórum, visando o compartilhamento de experiências e troca de informações.
O secretário Manevy irá auxiliar os trabalhos de elaboração do formato do Fórum no que diz respeito ao tema Economia da Cultura. A Secretaria de Políticas Culturais é uma das gestoras do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec), no âmbito do Ministério da Cultura.
Durante a visita a Cabo Verde, será firmado um protocolo de intenções entre a Fundação Cultural Palmares e o Ministério da Cultura daquele país. A iniciativa se insere nas diretrizes do MinC de fortalecer os laços com os países-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), aumentar o intercâmbio com os países da África e Diáspora e ampliar os espaços de cooperação bilateral.