sábado, 5 de janeiro de 2008

Literatura em TV na Internet

Está no ar o site www.tvlivro.com.br, feito por uma equipe de estagiários das universidades USP, Mackenzie e Cásper Líbero, que começou o projeto em outubro. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

(Cecília Meireles)

Tão leve


Leve beijo triste, Paulo Gonzo e Lúcia Moniz.

Calendário de propostas para apoio ao Instituto Camões

"Torna-se público que, tendo como objectivo a operacionalidade dos serviços, a racionalidade na aplicação dos recursos, a objectividade da decisão e a sua comunicação em tempo útil, as propostas a apresentar ao Instituto Camões para apoio nos domínios das artes do espectáculo, música, artes visuais, cinema, audiovisual e multimédia, arquitectura, design, literatura e projectos transdisciplinares, obedecem, a uma nova metodologia".

Prazos para apresentação de propostas em 2008:

2 a 8 de Janeiro
1 a 7 de Abril
1 a 7 de Julho
1 a 7 de Outubro

Fonte: Instituto Camões

A história ideal

Nesta crônica, Rubem Braga descreve exatamente a força e a leveza da história ideal. Através dela é possível pensar no processo da escrita, sua função, missão e lugar no mundo.

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Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse -- "ai meu Deus, que história mais engraçada!". E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre.

Que um casal que estivesse em casa mal-humorado, o marido bastante aborrecido com a mulher, a mulher bastante irritada com o marido, que esse casal também fosse atingido pela minha história.

(...)

E que ela aos poucos se espalhasse pelo mundo e fosse contada de mil maneiras, e fosse atribuída a um persa, na Nigéria, a um australiano, em Dublin, a um japonês, em Chicago -- mas que em todas as línguas ela guardasse a sua frescura, a sua pureza, o seu encanto surpreendente; e que no fundo de uma aldeia da China, um chinês muito pobre, muito sábio e muito velho dissesse: "Nunca ouvi uma história assim tão engraçada e tão boa em toda a minha vida; valeu a pena ter vivido até hoje para ouvi-la; essa história não pode ter sido inventada por nenhum homem, foi com certeza algum anjo tagarela que a contou aos ouvidos de um santo que dormia, e que ele pensou que já estivesse morto; sim, deve ser uma história do céu que se filtrou por acaso até nosso conhecimento; é divina".

E quando todos me perguntassem -- "mas de onde é que você tirou essa história?" -- eu responderia que ela não é minha, que eu a ouvi por acaso na rua, de um desconhecido que a contava a outro desconhecido, e que por sinal começara a contar assim: "Ontem ouvi um sujeito contar uma história...".E eu esconderia completamente a humilde verdade: que eu inventei toda a minha história em um só segundo, quando pensei na tristeza daquela moça que está doente, que sempre está doente e sempre está de luto e sozinha naquela pequena casa cinzenta de meu bairro.

A crônica extraída de "A traição das elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 91.

E diz aí Tião!

Jack Soul Brasileiro
Do tempero, do batuque
Do truque, do picadeiro
E do pandeiro, e do repique
Do pique do funk rock
Do toque da platinela
Do samba na passarela
Dessa alma brasileira
Eu despencando da ladeira
Na zueira da banguela


Lenine

Mãe da saúde de STP

"Julieta do Espírito Santo sonhou ser bailarina mas os anos fizeram-na trocar os palcos por um espectáculo maior: a vida. Primeira médica nativa de São Tomé e Príncipe". O site do Instituto faz homenagem à mãe da saúde, que partiu.

Fonte: Instituto Marquês do Valle Flor