Fonte: Dicionário Temático da Lusofonia, Texto Editores, p. 697.
Tive oportunidade de comer calulu em uma comemoração de são-tomenses, muito bom!
Pensar a lusofonia: labirinto da cultura
"A Comunidade luso-brasileira é um mito inventado pelos portugueses. Não é minimamente vivida do outro lado do Atlântico. (...) Que relação pode existir entre o imaginário de um povo de 10 milhões de habitantes, como Portugal, prisioneiro de mitos obsoletos - o Brasil é um deles -, e o de uma país de 150 milhões de almas, entre as quais se encontram pessoas vindas da Itália, Espanha, Alemanha, Europa central, Oriente Médio, Rússia e Japão? (...) Se Portugal absorve, dia e noite, há dezenas de ano, as novelas da Globo, os nossos filmes não conhecem qualquer sucesso no Brasil. Não é apenas uma questão fonética, é porque o código cultural do Brasil contemporâneo está a se afastar, em uma velocidade extraordinária, do velho país europeu que Portugal é. (...) Nada disso é motivo de espanto. Há muito tempo que estamos 'perdidos' para o Brasil, pois há muito mais tempo que nos 'perdemos' no Brasil".
Se na China cresce o interesse pela língua portuguesa, em Portugal o chinês é praticamente um modismo. As salas de aula estão lotadas, as universidades preparam cursos especiais. Ficou na cabeça uma frase de uma professora que me disse que tentar conter a China é como barrar um fenômeno da natureza. Sobre o aprendizado do idioma, parece que a dificuldade também é recíproca: a professora de mandarim Zhang Shuang diz em matéria publicada no jornal do Metro, sobre a explosão do estudo do idioma em terras lusas, que "para um chinês é muito difícil compreender a gramática portuguesa". A leitura, ela acha mais fácil. Em meio a esta sede, quando me dei conta já estava imersa em um universo linguístico com uma lógica totalmente diferente. É fantástico estudar chinês, muito difícil, mas a simbologia dos caracteres é linda e com certeza abre a mente para uma nova observação da vida. Acho que trabalha uma parte do meu cérebro que eu nunca tinha usado (não que eu use muita coisa dele). Essa é a sensação.
"O africano vive em familiaridade com a morte, e a morte individual é apenas um momento do círculo vital que não prejudica a continuidade da vida. Mas isso não impede que a morte provoque uma desordem tanto na pessoa do defunto, como entre seus próximos, na sua linhagem e comunidade inteira. Assim, os ritos funerários servem para contornar simbolicamente a desordem e restaurar o equilíbrio emocional do grupo abalado ...