quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Viva o calulu

BOCÁDU .... "Ritual de São Tomé e Príncipe que se realiza na quarta-feira após o Carnaval. Consiste na junção da família em casa do membro mais velho, que, com a mesma colher, dá o calulu (comida tradicional à base de vegetais) como símbolo de unidade e coesão". 

Fonte: Dicionário Temático da Lusofonia, Texto Editores, p. 697.

Tive oportunidade de comer calulu em uma comemoração de são-tomenses, muito bom! 



sábado, 8 de dezembro de 2007

Incenso Fosse Música




isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

(Paulo Leminski)

Novo portal para 2008

A Língua Portuguesa vai dispor, a partir do segundo semestre do próximo ano, de um portal – Lingu@e – que visa pensar a língua em termos práticos. Atualmente o portal, em fase embrionária, está ligado ao http://www.instituto-camoes.pt, mas terá endereço independente. A previsão é de que em finais de maio a página entrará em funcionamento.

Fonte: Jornal O Público (matéria na íntegra)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Achados e perdidos

"A Comunidade luso-brasileira é um mito inventado pelos portugueses. Não é minimamente vivida do outro lado do Atlântico. (...) Que relação pode existir entre o imaginário de um povo de 10 milhões de habitantes, como Portugal, prisioneiro de mitos obsoletos - o Brasil é um deles -, e o de uma país de 150 milhões de almas, entre as quais se encontram pessoas vindas da Itália, Espanha, Alemanha, Europa central, Oriente Médio, Rússia e Japão? (...) Se Portugal absorve, dia e noite, há dezenas de ano, as novelas da Globo, os nossos filmes não conhecem qualquer sucesso no Brasil. Não é apenas uma questão fonética, é porque o código cultural do Brasil contemporâneo está a se afastar, em uma velocidade extraordinária, do velho país europeu que Portugal é. (...) Nada disso é motivo de espanto. Há muito tempo que estamos 'perdidos' para o Brasil, pois há muito mais tempo que nos 'perdemos' no Brasil".

Fonte: Eduardo Lourenço. A Nau de Ícaro seguido de Imagem e Miragem da Lusofonia. Editora Gradativa, 2003.

Ouvi e gostei



João Pedro Pais - Um Resto De Tudo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A China em Portugal

Se na China cresce o interesse pela língua portuguesa, em Portugal o chinês é praticamente um modismo. As salas de aula estão lotadas, as universidades preparam cursos especiais. Ficou na cabeça uma frase de uma professora que me disse que tentar conter a China é como barrar um fenômeno da natureza. Sobre o aprendizado do idioma, parece que a dificuldade também é recíproca: a professora de mandarim Zhang Shuang diz em matéria publicada no jornal do Metro, sobre a explosão do estudo do idioma em terras lusas, que "para um chinês é muito difícil compreender a gramática portuguesa". A leitura, ela acha mais fácil. Em meio a esta sede, quando me dei conta já estava imersa em um universo linguístico com uma lógica totalmente diferente. É fantástico estudar chinês, muito difícil, mas a simbologia dos caracteres é linda e com certeza abre a mente para uma nova observação da vida. Acho que trabalha uma parte do meu cérebro que eu nunca tinha usado (não que eu use muita coisa dele). Essa é a sensação.

O livro mais requisitado por aqui é "Lições de chinês para portugueses", de Lu Yanbin e Wang Suoyung, que já vendeu mais de 20 mil exemplares e está sendo preparada agora uma reedição. Para encomendar este livro é preciso entrar em contato pelo site com o Centro Científico e Cultural de Macau. O idioma tem 56 mil catecteres, mas aprendendo mil é possível saber 90% da língua. Os verbos são empregados sempre no infinitivo, há um caractér antes que indica futuro, por exemplo. Se vier depois, é passado. Não há feminino e masculino, e plural somente quando necessário. A pronúncia tem quatro tons e se misturados podem significar palavras completamente diferentes. Os caracteres são escritos/desenhados de cima para baixo, da esquerda para a direita.

Quanto ao significado e à força da palavra, interessante é a escolha de como ser chamado. Minha professora conta que recebeu outro nome quando esteve na China para estudar. O nome pode dizer muito da pessoa. Deve ter uma associação boa, não é aconselhável que tenha afinidade com vocábulos como morte etc. Um nome mais erudito pode fazer parecer que o cidadão tenha um grau cultural mais elevado, sendo importante até mesmo na hora de procurar emprego.

Provérbio chinês:
"A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros".

* caracter da foto = chinês.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Ideologia funerária de África

"O africano vive em familiaridade com a morte, e a morte individual é apenas um momento do círculo vital que não prejudica a continuidade da vida. Mas isso não impede que a morte provoque uma desordem tanto na pessoa do defunto, como entre seus próximos, na sua linhagem e comunidade inteira. Assim, os ritos funerários servem para contornar simbolicamente a desordem e restaurar o equilíbrio emocional do grupo abalado ...

Quando a morte acontece é preciso compor a negatividade que ela representa, proteger-se contra ela, elucidar suas causas para proceder à restauração da ordem. Sobretudo, é importante que o grupo afirme sua coesão e vitalidade, coloque em visibilidade suas energias escondidas com vistas a uma nova partida: os grandes funerais africanos são festas ruidosas que reúnem pessoas de todas as idades num ambiente de excitação sustentada pelas danças, cantos, arengas, ritmos dos tambores, comidas e libações ...

Pouco a pouco a atenção se desvia da morte real, inaceitável em sua dimensão individual e afetiva, para se içar ao plano simbólico no qual a morte é a garantia de uma excelente vida ...

Assim funciona a ideologia funerária de África tradicional: o morto impuro e perigoso é transformado em ancestral protetor e reverenciado, a morte é transformada em vida".

Fonte: Munanga, Kabengele (2005). O que é africanidade. In: Revista EntreLivros, Vozes da África - a riqueza artística e cultural do continente. Edição especial número 6.