quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Arte no barbante


CORDEL

Desafio

*** Tom Zé e Gilberto Assis

Doutor: Meus senhores, vou lhes apresentar
A figura do homem popular,
Esse tipo idiota e muquirana
É um bicho que imita a raça humana.

O homem: O doutor exagera e desatina
Pois quando o pobre tem no seu repasto
O direito à escola e proteína
O seu cérebro cresce qual um astro
E começa a nascer pra todo lado
Jesus Cristo e muito Fidel Castro

Refrão:
Africará mingüê e favelará
mérica de verme que deusará
Iocuné Tatuapé Irará

Doutor: Veja o pobre de hoje: quer tratar
Do direito, da lei, ecologia.
É na merda que eles vão parar
Ou na peste, maleita, hidropisia.

O homem: Mas o Direito, na sua amplitude
Serve o grande e o pequeno também.
Além disso quem chega-se à virtude
E da lei se aproxima e se convém
Tá mostrando ao doutor solicitude
Por querer o que dele advém.

Refrão:
Africará minguê ... ... etc.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Cena pitoresca

Estava eu pedindo um inocente sanduba num café quando chega perto de mim um senhor e me pergunta:

_Você é brasileira?
Eu digo:
_Sim
E ele:
_Eu não gosto de brasileiro. Só conheci um que prestasse. Esse é como se fosse um irmão para mim.
Eu respondo:
_Bom, o senhor está no seu direito. Mas isso não tem nada a ver com nacionalidade. Há gente boa e ruim em toda a parte.

Levei em conta a idade do senhor e tentei colocar em prática mais uma vez alguns preceitos budistas (na minha meta de alcançar a iluminação em Portugal). Ele voltou pro lugar dele e antes de eu ir embora me pediu para não ficar chateada. Vai entender! Ainda bem que ele não estava de bengala.

Nas partidas do mundo

Eduardo Lourenço disse sobre a lusofonia "não sejamos hipócritas, mas sobretudo voluntariamente cegos: o sonho de uma Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, bem ou mal sonhado, é por natureza - que é sobretudo histórica e mitológica - um sonho de raiz, de estrutura de intenção e amplitude lusíada".

Para ele, há dois aspectos fundamentais sobre lusofonia: (1) a língua (e para isso reconhecer a diversidade é preciso) e (2) a cultura (sob perspectiva simbólica, o povo português preenche um espaço imaginário de nostalgia imperial para que se sinta menos só e seja visível nas sete partidas do mundo). FONTE Comunicação e lusofonia.

De fato, o termo lusofonia não se desvinculou ainda do seu caráter eurocêntrico e colonialista. Com a RTP África, a comunicação em língua portuguesa ganhou algum diferencial enquanto potencial estratégico para Portugal. Além de iniciativas mais isoladas. No entanto, a perspectiva cultural na ajuda ao desenvolvimento parece não alcançar o que deveria ser seu real objetivo: incentivar a evolução social dos povos com base na educação. Ontem ouvi uma frase interessante sobre os projetos de cooperação, que a União Européia dá com uma mão e tira com a outra. Sempre que leio algum material (midiático) sobre África tenho percebido que os assuntos na área de cultura primam por valorizar a riqueza e os vastos universos das regiões, suas particularidades, razões e sentidos. Ao passo que as análises econômicas e políticas têm na maioria das vezes uma visão simplista do continente como objeto de exploração. Mas acho muito leviano escrever sobre a África sem ter lá estado, conhecido algum país e suas realidades. E mesmo assim isso ainda seria o olhar do estrangeiro, histórias ditas. As pessoas têm o direiro de escrever, registrar e contar a sua própria história.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Juca Rosa, um feiticeiro no Rio do séc XIX

Nunca tinha ouvido falar em Juca Rosa até ler o artigo de Gabriela Sampaio, da Universidade Estadual de Campinas, estampado no livro África Subsaariana: Multiculturalismo, Poderes e Etnicidades. Com o título "A história do feiticeiro Juca Rosa: matrizes culturais da África Subsaariana em rituais religiosos brasileiros do século XIX", o texto conta a vida do curandeiro Rosa, nascido no Rio em 1833, filho de mãe africana. Segundo a publicação, desde 1860 Rosa liderava uma misteriosa associação, de vasta clientela, atendendo desde escravos libertos a políticos influentes. "Membros de diferentes grupos sociais se deslocavam até sua casa em busca de conselhos e prodigiosas curas". Nos rituais, conta a pesquisadora, Rosa usava uma camisa branca e uma calça de veludo azul com franjas prateadas; na cabeça, um gorro de veludo com franjas e bordas também prateadas. Pai Quibombo era um dos nomes pelo qual era conhecido, pelo visto um dos primeiros pais-de-santo do Rio de Janeiro. O estudo contribui para mostrar a confluência de tradições que ocorria no Brasil imperial e para entender melhor o confronto cultural entre africanos e europeus nas Américas.

Ela finaliza: "partindo da história de Juca Rosa chegamos à grande influência de tradições culturais da África Centro-Ocidental nas origens do que se conhece hoje como umbanda e candomblé, religiões afro-brasileiras de grande popularidade em todo o país, entre pessoas provenientes de grupos populares mas também entre intelectuais e membros das elites políticas e econômicas".

domingo, 4 de novembro de 2007

Enredo deste samba


Salve Dona Ivone Lara!