terça-feira, 30 de outubro de 2007

Estudantes africanos passam fome em Portugal

Alunos cabo-verdianos e demais colegas dos PALOP a frequentar o Instituto Politécnico de Viseu vivem "tremendas dificuldades" por não terem acesso a bolsas nem às residências de estudantes, e sobrevivem graças à solidariedade de colegas e professores e de instituições da cidade.

A fome que um estudante de um País Africano de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) sentia acabou um dia por superar a resistência imposta pela vergonha, quando pediu a uma professora que lhe pagasse pão e leite num supermercado.

A situação momentânea deste aluno ficou resolvida, mas revelou um problema que abrange dezenas de estudantes oriundos dos PALOP colocados no Instituto Politécnico de Viseu (IPV).

Sem bolsas que permitam pagar a alimentação, as propinas (800 euros anuais divididos em quatro prestações) e o alojamento, Vanda Cabral, Carlos Alves e Ramaliel Neves, cabo-verdianos, descreveram à Agência Lusa as "tremendas dificuldades" que vivem para concluir os estudos em Portugal.

Não acusam ninguém por não terem dinheiro que lhes permita viver com o mínimo de comodidade, nem o Governo da Cidade de Cabo Verde que não lhes paga bolsas, nem o IPV por lhes negar o acesso às residências para estudantes.

"A lei é assim", lamentam, embora sublinhem que "com boa vontade" este problema poderia ser ultrapassado.

Só que a verdade, como explica Carlos Alves, de 29 anos, estudante de Marketing na Escola Superior de Tecnologia do IPV, "é apenas uma": muitos "passam fome", vestem-se com a "caridade de colegas e professores" e a Caritas de Viseu tem sido "uma grande ajuda" com a distribuição periódica de roupas e alimentos.


"Debulhar o trigo, recolher cada bago do trigo, forjar no trigo o milagre do pão, e se fartar de pão. Decepar a cana, recolher a garapa da cana, roubar da cana a doçura do mel, se lambuzar de mel. Afagar a terra, conhecer os desejos da terra, cio da terra, a propícia estação. E fecundar o chão".

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...

Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue.
Volúpia ardente...Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias.
Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
deixando um acre sabor na boca.

Eu faço versos como quem morre.

(M. Bandeira)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Olhos cansados

MENINAS E MENINOS (Fernando Sylvan)

Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos
nos livros, nos jornais, no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos!
E então?

Wiki: mais de 300 mil artigos em português

A Wikipédia em português já tem mais de 300 mil artigos. De acordo com nota do Público, o artigo 300 mil foi sobre uma autarquia da Florida chamada Utopia. Que ironia...

Enquanto isso, nos mass media

Terminou hoje o evento II Jornadas Internacionais de Informação e Comunicação nos Mass Media, na UP. O encontro reuniu especialistas de Portugal e Espanha em debate sobre informação e conhecimento, tendo como principal pano de fundo a produção e o gerenciamento de conteúdos digitais. Além dos casos jornalísticos e empresariais, a eterna discussão sobre o futuro dos meios se perpetua. Entre as contribuições dos participantes, algumas considerações do diretor do jornal Público.

1. Estamos numa ponte. Mais cedo ou mais tarde o jornalismo de papel vai morrer. Só não sei em que ponto da ponte estamos. Daqui a 15 anos o jornal de papel será feito para um público minoritário. A grande massa de informação estará na internet. A floresta da informação na Internet é densa.

2. Não sou pessimista em dizer que a web 2.0 nivela por baixo. Mas receio que o jornalismo cidadão nos traga alguns problemas. E ainda, corremos o risco de perder a noção de médio e longo prazo, a estrutura da nossa vivência social. Mas o jornalismo de referência continuará a ter o seu lugar.

3. Sobre o texto para Internet. Li um estudo que me surpreendeu. Dizia que o leitor tem mais disposição para ler textos longos no meio online do que no papel. Ao contrário do que se pensa, quando o leitor abre o jornal e se depara com um texto de uma página ou duas ele desanima. Isso mostra que podemos fazer textos longos na Internet.

4. A memória tem um lugar central no jornalismo de referência.

Macau insubstituível

Repórteres do jornal de Hong Kong Ta King Pao viajaram por quatro países de língua portuguesa e concluíram que as relações sobre as nações lusófonas e a China seguem de vento em popa. O papel de Macau nesse contexto é considerado insubstituível.

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