domingo, 30 de setembro de 2007

Lusofoninha

O imaginário infantil ganhou recentemente uma ponte entre Brasil e Portugal. De olho no mercado lusófono, Mauricio de Sousa criou Antônio Alfacinha, personagem português que pode familiarizar as crianças com as diversificações do nosso idioma. Isso porque o novo membro da turma vem com sotaque lusitano e dialogará com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.

De acordo com matéria publicada no Jornal do Mundo Lusíada, os gibis deverão ter uma distribuição em todo Brasil e também em Portugal. O sobrenome dele é uma alusão aos lisboetas, divulgou a assessoria de imprensa de Maurício. A proposta é a de que os leitores se divirtam com as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal.

sábado, 29 de setembro de 2007

Língua e guerrilha

Em Moçambique, no período pré-independência a população adquiria o português de forma motivada, especialmente pelo status no plano sócio-cultural, econômico e até ideológico, uma vez que a assimilação do conhecimento pelos africanos significava ascensão social. Quando em 1962 a luta armada contra a metrópole se inicia, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) escolhe o português como língua de comunicação entre moçambicanos de línguas diferentes envolvidos na ação. As justificativas dos dirigentes da Frelimo baseavam-se no fator lingüístico, afirmando ser a única língua capaz de minimizar as diferenças entre muitas línguas do território, propiciar uma certa unidade no próprio movimento, além, claro, de ajudar a conhecer o opositor comum. Será, portanto, o português a língua dos dois lados da luta: do poder da metrópole e da resistência da colônia.

Outra leitura da escolha do português como língua do movimento: necessidade de conhecimento técnico para o manejo do armamento usado na guerra e principalmente aos interesses do grupo dirigente (que não dominava as línguas nacionais) - para a manutenção do seu status de grupo social dominante.

Mas a realidade da guerra mostra que as línguas locais de cada região foram amplamente usadas pelas lideranças para atingirem a população. Em quase todos os discursos políticos, as línguas locais assumem um papel que jamais o português poderia ter.

Com a independência, o português foi usado como língua oficial: comunicação com a comunidade internacional (língua de unidade nacional, era o discurso vigente).

Fonte: Artigo Regina Brito e Neusa Maria Bastos, livro Comunicação e Lusofonia - para uma abordagem crítica da cultura e dos media. Editora: Campo das Letras.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Peito Vazio

Peito Vazio é uma das minhas preferidas do gênio e mestre Cartola. Vale a pena ouvir. (vídeo acima)

Erro de português

Esse poema pra mim é o encontro perfeito entre palavra e significado. E nos joga diretamete para o simbólico. Fala por si em nome da crítica à aculturação e situa o abismo para com o outro.

ERRO DE PORTUGUÊS (Oswald de Andrade)

Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

O português

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

pierreverger.org

Em artigo do africanista Alberto Costa e Silva, Revista EntreLivros, especial Vozes da África, passagem escrita por Anita de Mello fala um pouco da obra de Pierre Verger (acima, vídeo do documentário Mensageiro entre dois mundos). Diz ela que "as relações entre Brasil e África foram muito mais complexas do que se costuma pensar, para além do tráfico de escravos. Trocas afetivas, culturais, comerciais e mesmo ideológicas se manifestaram e ainda há muito a ser descoberto. Um dos pioneiros na pesquisa sobre Brasil africano e a África brasileira, o francês Pierre Verger (1902-1996), publicou artigos e livros e fotografou durante meio século. Seu acervo fotográfico de mais de 62 mil negativos está guardado na fundação que tem seu nome, cuja sede fica em Salvador". Mais materiais podem ser encontrados em (http://www.pierreverger.org/br/index.htm).

Vale a pena conferir o documentário Pierre Fatumbi* Verger: Mensageiro..., narrado por Gilberto Gil esbanjando francês. A entrevista com Verger, que abraçou a Bahia e o Candomblé, foi feita um dia antes de sua partida deste mundo (11/02/96).

* Fatumbi: nome religioso que assumiu.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

História do Circo no Brasil

A história do circo no Brasil não vem do parlamento nem reside no ponto da marmelada, mas remonta o século XIX com as lonas estrangeiras que fomentaram a arte. Antes disso, no entanto, grupos de saltimbancos ligados às companhias de teatro faziam apresentações em todos o país, fato que é considerado como a origem de tudo para alguns historiadores. Mas a história oficial registra o nascimento em 1828, com o português Manoel Antônio da Silva. Ele apresentou num ato só uma dança sobre um cavalo a galope, usando como local de exibição uma residência particular. No séc. XIX a primeira companhia estrangeira foi o Circo Bragassi (1830). Famílias circenses estrangeiras acabaram por incentivar a arte no Brasil. A partir da II Guerra o teatro buscou espaço no circo. Era uma oportunidade de os artistas se apresentarem usando uma montagem ágil e simples. Grande Otelo e Dercy Gonçalves foram atores que participaram do circo-teatro e fizeram sucesso com as obras "Coração materno", "O colar perdido" etc. Destacaram-se durante o século XX os palhaços Chicharrão (José Carlos Queirolo), Piolim (Abelardo Pinto), Arrelia (Waldemar Seyssel) e, o mais popular, Carequinha (George Savalla Gomes). Em 1982 foi criada a Escola Nacional de Circo. O Sindicato dos circos estimou em 2002 a existência de 400 circos no Brasil (entre pequenos e grandes).

Fonte: Dicionário Temático da Lusofonia.

Receita de marmelada

Ingredientes:
1kg de marmelo limpo
1kg de açúcar
1dl de água

Preparação: Levar os marmelos cortados em pedaços ao lume com o açúcar e a água. Deixar cozer bem. Quando tudo estiver cozido, reduzir a puré com a varinha mágica, de modo a ficar uma mistura homogénea. Deixar ferver mais um pouco até atingir o ponto de estrada. Deitar em tacinhas e deixar secar com uma tampa de papel vegetal embebida em aguardente.

Uma reflexão

Não tens o que possuis,
Tens aquilo que dás.

Acima do que sabes,
Vale aquilo que és.

Sobre a própria palavra,
Olha as ações que crias.

Mais além do que podes,
Importa o que toleras.

De tudo quanto crês,
Vale mais o que fazes.

Em tudo quanto sofras,
Guarda a fé viva em Deus.

(Emmanuel, Chico Xavier)