Diz na Wikipedia: a Serra do Buçaco é uma elevação de Portugal Continental e abrange o concelho de Penacova. A mata que existe ainda hoje na Serra do Buçaco foi mandada plantar pela Ordem dos Carmelitas Descalços no primeiro quarto do século XVII.
domingo, 15 de julho de 2007
Águas de bacalhau
Diz na Wikipedia: a Serra do Buçaco é uma elevação de Portugal Continental e abrange o concelho de Penacova. A mata que existe ainda hoje na Serra do Buçaco foi mandada plantar pela Ordem dos Carmelitas Descalços no primeiro quarto do século XVII.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Poetas no front em Moçambique
"Durante bastante tempo (pelo menos desde a II Guerra) Moçambique foi considerada uma colônia de poetas. Na década de 70, com a guerra pela libertação nacional, a Frelimo - Frente de Libertação de Moçambique fez uma recolha de textos poéticos produzidos para consumo interno da guerrilha (elaborados por militares), conquanto passíveis de serem divulgados, com impacto político imediato nos meios internacionais. Poesia de Combate ou de Guerrilha eram os nomes e incluía texto de Marcelino dos Santos, Sérgio Vieira, entre outros. Com poemas de nítida intenção militante, com sentido estrito ou de luta anti-colonial, atinge uma expressão didática e informativa".O trecho do poema Para uma moral (Marcelino dos Santos) ilustra o tom da produção daquele tempo e o contorno da expressão ideológica nas entrelinhas da ferramenta cultural.
Cada um de nós
tem um desejo
forte de sonho e de vontade
ser doutor aviador ou mecânico
carpinteiro engenheiro
e mesmo político
e servir
amanhã
o povo
com o melhor do seu gosto e saber
E hoje
camaradas
como servir hoje o povo.
Fonte: Larajeira, Pires (1995). Literaturas africanas de expressão portuguesa. Universidade Aberta, Lisboa.
Museu nas amarras do colonialismo
Se o mar português espelhou o céu nos versos de Pessoa, o Museu do Mar da Língua Portuguesa – previsto para ser inaugurado em meados de 2008, em Lisboa – é mais uma oportunidade para refletir sobre a diáspora do idioma no mundo.Em entrevista (por Zi) a historiadora portuguesa Judite de Freitas, professora de Relações Internacionais, fala da iniciativa no debate da lusofonia.
O Museu do Mar da Língua Portuguesa terá simulação das viagens dos Descobrimentos. Com essa amarra histórica Portugal estaria dizendo a língua portuguesa ainda é nossa?
Judite: O português é uma língua de cultura e como tal exerce um papel aglutinador entre todos os povos que a falam em diferentes latitudes do globo no respeito pelos costumes, usos e leis nacionais de todos os falantes. Não me parece que o sentido político no atual mundo globalizado, do projeto de criação de um Museu do Mar tenha em vista uma perspectiva da língua enquanto patrimônio exclusivo de Portugal. É mais uma língua de muitas culturas e alguns Estados.
Esse apego aos Descobrimentos é um orgulho dos processos de aculturação que Portugal promoveu ao longo da história? E, do ponto de vista da lusofonia, não demonstra um sintoma neocolonialista?
Judite : Esta questão do neocolonialismo colocar-se-ia qualquer que fosse a opção política do governo. A promoção e difusão da língua portuguesa têm, do meu ponto de vista, que passar por uma política coordenada e convergente dos vários agentes culturais nacionais. Medidas avulsas, regra geral, pouco representam e não exercem o devido impacto. O marketing da língua e cultura nacionais deve constituir uma das prioridades culturais do governo. A Inglaterra e a França, com outros meios e recursos, fazem-no há muito mais tempo. A Espanha, muito embora mais tardiamente, leva a cabo através do Instituto Cervantes uma política que tem dado significativos frutos.
domingo, 8 de julho de 2007
Craveirinha: Poema do futuro cidadão
Poema do futuro cidadão (José Craveirinha - Chigubo - 1964)
Vim de qualquer parte
de uma Nação que ainda não existe.
Vim e estou aqui!
Não nasci apenas eu
nem tu nem nenhum outro...
mas Irmão.
Mas
tenho amor para dar às mãos cheias.
Amor do que sou
e nada mais.
E
tenho no coração
gritos que não são meus somente
porque venho de um País que ainda não existe.
Ah! Tenho meu Amor a todos para dar
do que sou.
Eu!
Homem qualquer
Cidadão de uma Nação que ainda não existe.
FONTE: Cavacas, Fernanda (1994). O texto literário e o ensino da língua em Moçambique. Colecção Sete, Lisboa - Maputo.
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Craveirinha é considerado um dos maiores poetas de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões.
“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
“Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato.
“A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão.
“E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terrra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.
Nasci ainda outra vez no jornal "O Brado Africano”. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidata.
Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.
Autobiografia (Wikipedia)
Craveirinha é considerado um dos maiores poetas de Moçambique. Em 1991, tornou-se o primeiro autor africano galardoado com o Prémio Camões.
“Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Isto por parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai, fiquei José. Aonde? Na Av. Do Zihlahla, entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
“Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato.
“A seguir, fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: seu irmão.
“E a partir de cada nascimento, eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terrra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe preta.
Nasci ainda outra vez no jornal "O Brado Africano”. No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa.
Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por parte de minha mãe, só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidata.
Minha grande aventura: ser pai. Depois, eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu País também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse País, muitas vezes, altas horas a noite.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Portugal na CEE
Esta semana, o primeiro-ministro português, José Sócrates, anunciou na presidência da UE para os próximos seis meses maior aproximação com Brasil e África, provavelmente lusófona. Para ilustrar o episódio a música escolhida como pano de fundo é "Quero ver Portugal na CEE", feita em 1981 pelo portuense Grupo Novo Rock (GNR), também sigla da Guarda Nacional Republicana.O apelo do refrão "Quero ver Portugal na CEE" só foi atendido cinco anos mais tarde e será que sonharia o autor ver o país em sua terceira presidência no bloco. Como se diz por cá, Portugal está cheio de pica! (Traduzindo: com o pique total). A flor azul foi o símbolo da adesão à comunidade, o que representaria a modernidade, sendo também cor do mar, elemento crucial da identidade histórica portuguesa.
PORTUGAL NA CEE [GNR]
Na rádio, na Tv nos jornais, quem não lê
Portugal e a CEE
Quanto mais se fala, menos se vê
Eu já estou farto e quero ver
Quero ver Portugal na CEE
Quero ver Portugal na CEE
À boleia, pela rua
lá vou eu ao mercado comum
ao lá chegar, vi o bosstinha cunha
foi o que me valeu
perguntei-lhe “Qual é a tua, ó meu?”
Quero ver Portugal na CEE
Quero ver Portugal na CEE
E agora que já lá estamos
Vamos ter tudo aquilo que desejamos
Um PA p’rás vozes e uma Fender
Oh boy, é tão bom estar na CEE
Quero ver Portugal na CEE
Quero ver Portugal na CEE
(Vítor Rua, 1981)
quinta-feira, 28 de junho de 2007
O mundo nos limites do pensar e sentir da língua
Depois de ler que "Uma língua é o lugar donde se vê o Mundo e em que se traçam os limites do nosso pensar e sentir. Da minha língua vê-se o mar…" veio a inquietação pelo autor português Vergílio Ferreira. Encontrei um livro chamado Escrever, uma das duas obras que deixou por publicar com textos que nem careciam de serem finalizados. É um livro de pensamentos. O verbete que escolhi deixar por aqui fala sobre a elasticidade da palavra como registro do tempo. "As palavras têm o seu conceito e sua carga emotiva. Denotação, conotação - sabemo-lo desde a escola. Mas no que nem sempre pensamos é no mistério irrecuperável do que em emoção essas palavras foram no passado. Serão elas então legíveis? Toma três palavras simples como `pão, morte e amor`. No nosso uso cotidiano esse mistério é invisível. Mas que a sensibilidade se nos abra e elas abrirão em emoção inexplicável. E é desse mistério que eu falo para o tempo que passou. A `morte` terá uma ressonância identificável pelo que rodeou e condicionou e existiu em ritual e crenças. Mas o `pão`? Ou mesmo o `amor` se não foi uma invenção ocidental? Diz a palavra `pão` e tenta saber a névoa emotiva que a envolve. Símbolo do teu sustento, símbolo centralizador da tua mesa e a família à volta dela, calor do lar, paz doméstica, infância talvez, amor maternal, aroma a repouso, cheiro honesto, oblíquo sinal litúrgico e mais e mais. Tudo isso aflui indiscernivelmente à simples palavra `pão`. Que afluiria há dois, três séculos, há mil anos? E daqui aos mesmos tempos?
Toda a palavra é um repositório do que em nós ela foi despertando. E em cada dia a vamos ampliando ou reduzindo. Até que fique ininteligível e se recolha a um dicionário de arcaísmos. Mas a mais simples frase tem normalmente duas camadas de valores, a do quotidianismo asfaltado e a dos ecos aí inaudíveis e que uma atenção poética desperta. Com os da primeira comerciamos com homens da praça pública. Com os da segunda entendemo-nos com o que resta de Deus".
Fonte:
Ferreira, Vergílio (2001). Escrever. Edição de Helder Godinho. Bertrand Editora, Chiado.
domingo, 17 de junho de 2007
Palop na Lusofonia
A sigla Palop resulta das abreviaturas de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, instituição que sucedeu a Concop (Conferência dos Órgãos Nacionalistas das Colônias Portuguesas), criada em 1960.Alcançada que foi a independência dessas colônias, Palop tem hoje significado diferente: o de conjunto de países africanos que têm por língua oficial ou materna a língua portuguesa.
Precisamente por ter evoluído o seu significado e o alcance inicial do projeto rumo à independência, e por apenas abranger os países africanos de língua oficial portuguesa em África, a sigla Palop vem sendo cada vez menos empregada, em favor do termo Lusofonia, que não só os contempla sem fazer exclusão de países, como inclui Portugal, Brasil e Timor.
Para referir os países africanos de língua portuguesa, tornou-se mais corrente a expressão países africanos lusófonos.
Fonte: Cristovao, Fernando (Dir. e Coord.) et al (2005). Dicionário Temático da Lusofonia. Texto Editores, Lisboa.
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