Eu que sou brasileira (graças a Deus!) de pai e mãe italianos agora sinto realmente o que meus pais passaram, o que é ser estrangeiro. Durante todo o meu tempo fui testemunha dessa ausência deles, que também é minha. Talvez eu precisasse resgatar isso em mim, em algum lugar, ou em lugar nenhum. Os sonhos começam como uma brisa leve e depois se transformam num vento mais forte até se tornarem capazes de mover tudo do lugar. A vida de antes tenta entrar na de hoje. Mas não me reconheço na mobília de minha casa nem no mesmo pedaço de chão que pisei tantas vezes ao cruzar a porta. À mente um recordar, incansável. Pedaços do que passou que querem continuar respirando.segunda-feira, 28 de maio de 2007
Brasileira, graças a Deus
Eu que sou brasileira (graças a Deus!) de pai e mãe italianos agora sinto realmente o que meus pais passaram, o que é ser estrangeiro. Durante todo o meu tempo fui testemunha dessa ausência deles, que também é minha. Talvez eu precisasse resgatar isso em mim, em algum lugar, ou em lugar nenhum. Os sonhos começam como uma brisa leve e depois se transformam num vento mais forte até se tornarem capazes de mover tudo do lugar. A vida de antes tenta entrar na de hoje. Mas não me reconheço na mobília de minha casa nem no mesmo pedaço de chão que pisei tantas vezes ao cruzar a porta. À mente um recordar, incansável. Pedaços do que passou que querem continuar respirando.domingo, 27 de maio de 2007
Rock in Rio Lisboa 2008 já dá sinais
Ontem foi o marco para o Rock in Rio Lisboa 2008, que começará daqui a um ano sua terceira edição. Já há inclusive chamadas na TV para isso. O espetáculo aconteceu com uma cascata de fogos de sete minutos na Ponte 25 de Abril, sobre o Tejo. Mas, um ano antes não é muito cedo para uma divulgação desse porte? O Brasil exporta novelas, eventos, shows, carnaval e agora também o teatro está com força em Portugal (facilitado ainda pelo idioma comum). O que se conclui que as ações de política cultural estão cada vez mais nas mãos dos grupos privados.O evento acontecerá no Parque da Belavista, em Lisboa, dias 30 e 31 de Maio e 6, 7 e 8 de Junho do ano que vem, depois de Madri: 27 e 28 de Maio e 4, 5 e 6 de Julho. Os fogos foram algo inédito, de acordo com a imprensa portuguesa, e lembraram o final de ano nas praias do Rio. O povo gostou do que viu e tinha até gente às margens do rio com bolsa levando vinho para apreciar o momento.
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Portugalidade com cevada
Muito se fala no poder das imagens e dos símbolos, mas o texto publicitário da cerveja portuguesa Sagres faz valer a força da palavra. Um verdadeiro poema sobre a portugalidade que conclama um país que precisa ser reinventado a acordar diferente. "Naquele dia acordamos diferentes"."Eu não sou dos Açores, nem do Algarve, nem do Porto, nem de Lisboa". Quer dar ao país uma unidade e reforçar a figura do Estado. Mais do que ser lisboeta, por exemplo, é ser português. "Sou de toda parte", a língua portuguesa está em toda a parte (em todos os continentes). "Sede de descobrir um novo país". Os portugueses que descobriram meio mundo não pararam para conhecer Portugal, de verdade. "Um país que aprendeu a apoiar junto a mesma seleção" mostra o sentimento do patriotismo despertado na última Copa, o que faz da propaganda também atual, não somente presa ao passado histórico.
Apesar de não se desgrudar dos feitos (e desfeitos) dos Descobrimentos ("Um país de descobridores que já conquistaram meio mundo"), o texto fala de valores sem ser saudosista, coloca de maneira leve as idéias e toca no emocional coletivo. Parece que deu certo o anúncio produzido pela Fischer PT. De acordo com o site Central de Cervejas.Pt, no final de 2004, a Sagres tinha 34,8 de cota de mercado; um ano depois chegava aos 38,1; no final de 2006 já atingiu os 41,0% com a nova roupagem.
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Texto:
Naquele dia acordamos diferentes
Acordamos com sede
Sede de descobrir um novo país
O país mais antigo da Europa,
mas que nunca foi tão moderno
Um país que aprendeu a apoiar junto a mesma seleção...
e que seleção!
E as mulheres...
Nesse país surgiu a palavra mais bonita: sociedade.
Mas para se sentir quando, e se quiser
Um país de descobridores que já conquistaram meio mundo.
Por isso, eu não sou dos Açores, nem do Algarve, nem do Porto, nem de Lisboa
Sou de toda a parte, sou daqui, encontra-me em Portugal.
Encontra-te aqui.
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Propaganda de bebidas alcoolicas, não há muito futuro nas mídias de massa (BlueBus)
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Rugas de preocupação
Hoje é o julgamento de uma senhora de 70 anos que pode ser presa por ter furtado um creme de 3,99 euros. No ano passado a senhora, que está muito debilitada atualmente, foi apanhada por um segurança levando um creme do mercado Lidel, no Porto. O segurança pediu que ela devolvesse o produto e ela assim o fez. Meses depois recebeu acusação do Ministério Público do Porto, que somente com as fotocópias do processo já gastou valor bem superior ao do "dano". Além disso, o Estado paga 264 euros ao advogado por cada vez que comparece ao tribunal. Furto formigueiro ou furto simples: é assim classificado o caso. Como não tem dinheiro, a senhora pediu apoio judiciário. A sentença será divulgada no próximo mês e, dependendo do veredicto, a senhora pode ser condenada a até três anos de detenção. O absurdo beira a insanidade, já que esta senhora não deve ter saúde, nem estrutura financeira, muito menos emocional para enfrentar uma situação dessas.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Hino Nacional de Moçambique
Na memória da África e do MundoPátria bela dos que ousaram lutar
Moçambique o teu nome é liberdade
O sol de Junho para sempre brilhará brilhará
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer
Povo unido do rovuma ao Maputo
colhe os frutos do combate pela Paz
cresce o sonho ondolado na bandeira
e vai lavrando na certeza do amanhã
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer
Flores brotando do chão do teu suor
pelos montes, pelos rios, pelo marnós juramos por ti,
ó Moçambique: nenhum tirano nos irá escravizar
Moçambique nossa terra gloriosa
pedra a pedra construindo o novo dia
milhões de braços, uma só força
ó pátria amada vamos vencer
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Cesário breve, vida Verde
Cesário Verde teve uma vida breve (1855-1886), mas bem produtiva. Ao conhecer alguns de seus poemas gostei do seu estilo por vezes ácido e irônico. Pertencente à geração de realistas e parnasianistas, em 1887 de suas obras dispersas fez-se a coletânea O livro de Cesário Verde, que neste fim de semana comprei em uma feira de usados por apenas 1 euro! Ele é a expressão poética das aspirações, sonhos e conflitos da pequena burguesia lisboeta. Diz o prefácio de Silva Pinto que o homem de vida pouca, apercebendo-se de que havia que fluir dela intensamente, já que o tempo urgia, transmite a sua obra a força dum pacto secreto. Alguns trechos da poesia de Cesário:"Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas".
"As burguesinhas do catolicismo
Resvalam pelo chão minado pelos canos;
E lembram-me, ao chorar doente dos pianos,
As freiras que os jejuns matavam de histerismo".
De tarde
Naquele piquenique de burguesas
Houve uma coisa simplesmente bela
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da marenda
O ramalhete rubro das papoulas!
terça-feira, 15 de maio de 2007
Minha língua no espelho
Se a língua é o reflexo da minha identidade é também nela que me reconheço nos falares do outro. Bem comum que deve ser partilhado e não (re)partido, como acontece com nosso fatigado idioma, que já está com a língua para fora. Esta então, quanto mais partida menos (com)partilhada. Quanto menos partilhada menos representativa - praticamente um efeito Tostines. Por esses dias me deparei com uma frase curiosa, fui ao Instituto Nacional de Estatísitica (INE) e o senhor que atende o público me disse "até no Brasil, que pode-se considerar um país de língua portuguesa". Pensei em dar a língua para ele, mas essa eles já nos deram. Aliás, deram mais que isso: a língua e um dedo. Quem estava de longe podia avistar logo acima da minha cabeça um balão escrito "ele deve ser mais um que acha que eu falo brasileiro, pqp". Resolvi me calar. Descobri que Portugal é um ótimo país para a prática do budismo. Quem sabe em mais poucos meses eu alcanço a iluminação.
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