quinta-feira, 8 de março de 2007

O verdadeiro mestre lingüiça

Se o computador é uma extensão do sistema nervoso central e a roda uma extensão do pé, o "candidato chouriço” deve ser uma extensão da troca de voto por dentadura. João Seco Magalhães é presidente da Junta de Freguesia de Maximinos (apoiado pelo PS de Braga).

Em 2005 conseguiu se reeleger ao referido cargo com a "estratégia" de deixar nas caixas de correio de seus potenciais eleitores uma lingüiça (ou chouriço, aqui em Portugal) embalada a vácuo com sua imagem. Antes, porém, consta que este senhor - em campanha - fazia doações de eletrodomésticos a famílias necessitadas. Pelo visto o barateamento do brinde funcionou, apesar de ter sido alvo de piadas, como encontrada em um blog português: "A coragem desta ilustre candidatura! Não é qualquer candidato que dá o chouriço pelo eleitorado!"


P.S. Em Understanding media, McLuhan considera que os media são extensões dos sentidos do homem e das suas funções: a roda como extensão do pé, a escrita como extensão da vista, o vestuário como extensão da pele, os circuitos elétricos como extensão do sistema nervoso central . Ainda não era o computador, mas ele estava próximo de se tornar um elemento massificado.

terça-feira, 6 de março de 2007

Vai uma baba?

Se te convidassem para comer uma baba de camelo no Piolho você iria? Pois é, também estranhei, mas a baba é uma delícia, uma espécie de mousse de caramelo, que se aproxima muito do nosso doce de leite. Piolho é o nome de um bar/lanchonete que tem no Porto, ponto de universitários.

A receita é:

INGREDIENTES: 1 lata de leite condensado, 5 ovos 1 colher (chá) de essência de rum, 200 gr de castanha do pará sem sal, morangos para decorar

MODO DE PREPARO:
Cozinhe a lata de leite condensado em panela de pressão por aproximadamente 45 minutos, depois que a panela começar a fazer barulho. Retire da panela e deixe esfriar completamente (pode colocar em uma vasilha com água e gelo para esfriar mais rápido). Depois de fria abra a lata. Despeje em uma vasilha. Retire as gemas e reserve as claras. Passe as gemas na peneira e misture no doce de leite condensado. Bata até que se misturem completamente ( pode ser na batedeira). Bata as claras até que fiquem em ponto de neve, misture no doce , acrescente a essência de rum. Mexa bem. Em taças coloque castanhas de caju a gosto e despeje esse doce por cima. Leve à geladeira por mais ou menos 3 horas. Sirva gelado e decore com morangos ou como quiser.

Fonte: http://tudogostoso.uol.com.br/receita/11920-baba-de-camelo-irresistivel.html

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Falamos português ou brasileiro afinal?

"Nós falamos a mesma língua, mas às vezes não nos entendemos". É fato. Mas ouvi essa frase da boca de um professor que formava a banca de um mestrado, cuja tese em defesa teve de ser entregue em português de Portugal mesmo sendo a estudante brasileira.

Antes, porém, em sala de aula, a professora entrega para a turma um texto escrito por Emir Sader e diz: "mas está em brasileiro". Fico me perguntando se essa não seria também uma negação da história. Depois me disseram que isso é comum, pois para muita gente em Portugal falamos "brasileiro". Que gosto tem essa língua, amargo, ácido ou doce?

Em todo caso, vale muito a pena ler o texto, em brasileiro, de Emir Sader, Capitalismo contra Democracia, CLICANDO AQUI.

Só a literatura salva

O escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martínez esteve em uma universidade do Porto, em palestra para uma turma de comunicação. Entre suas obras, Santa Evita foi traduzida para 25 idiomas e publicada em mais de 30 países. O conjunto de sua produção já foi considerado o fenômeno literário mais importante da América Latina depois de Cem anos de solidão, segundo NY Times e London Review of Books.

A palestra foi de grande valor. Mas estudante de jornalismo é sempre igual, seja no Brasil ou em Portugal. Enquanto o senhor Martínez claramente queria falar de literatura, os estudantes faziam questionamentos intermináveis cujas perguntas demoravam mais que o tempo que restava ao autor para as respostas. Os alunos entendiam o espanhol e o escritor não conseguia entender o português de Portugal. Então foi necessária a ajuda de um intérprete.

O escritor então sabiamente achou o ponto ideal de sua fala focando a explanação em Jornalismo e Literatura e falou sobre como foi descoberto através da literatura o processo de identificação do leitor. E que o novo jornalismo conta a verdade com a técnica da "novela".

- Para narrar é preciso olhar cada ser humano como se o estivesse descobrindo. A investigação é o laço que une jornalismo e literatura. Nesse processo, a imaginação se enfia nos espaços vazios da realidade. Mas é preciso dizer que a literatura é um ato de liberdade, e o jornalismo não. Escrever é muito mais perigoso que ler. A imaginação é muito mais perigosa que a realidade - lindo!

Mc Marcinho no Porto

Em Portugal as comunidades mais pobres são chamadas de bairros sociais. A palavra bairro, no sentido que usamos, é freguesia. Esse é um bairro social do Porto chamado Bairro do Carvalhido. Não é uma área de pobreza propriamente dita mas os espaços se caracterizam pelas roupas penduradas nas janelas e varandas dos prédios.

Outro dia teve show do Mc Marcinho no Porto e fiquei imaginando se ele iria adaptar aquela música pra "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente no bairro social onde eu nasci, É!"

Pelas vias do cotidiano

"Explicar o significado de uma palavra é descrever como ela é utilizada, e descrever como ela é utilizada é descrever o intercurso social em que ela entra". (Pesquisa Social, Tim May)

A definição é realmente boa para mostrar como a expressão entra por vias bem distintas no cotidiano de brasileiros e portugueses.

"Todo brasileiro que cá vem leva uma foto desta. Acho que é porque no Brasil a palavra tem outro sentido, não é, menina?", diz a vendedora de porras, quer dizer, de churros, que trabalha no Palácio de Cristal, um dos pontos turísticos do Porto.

Quando aqui pisei

Ao chegar em terras lusitanas, a rádio já dava um sinal da influência da música brasileira. O som era "Quero que vá tudo pro inferno", regravada pela banda GNR.

Clique para ouvir...

A GNR (Grupo Novo Rock), sigla que também é Guarda Nacional Republicana, é uma banda portuguesa formada desde a década de 80 no Porto.